A Fundação
Os Arquitectos
A Documentação
Investigação
Edições
Conferências
Colóquios
Exposições
Cursos
Visitas Guiadas
Viagens Culturais
Outras iniciativas
Gravações vídeo
Newsletter
Contactos
Loja
Destaques
Carrinho de Compras
facebook
facebook
Edifício das 4 Estações « voltar às obras


Rua das Carmelitas, Edifício das Quatro Estações, s.d.

Início do projecto 1905

O edifício das Quatro Estações, cujo nome deriva dos quatro relevos representativos que encimam as quatro pilastras que caracterizam o seu alçado, é uma obra exemplar das características formais que Marques da Silva introduz no desenho urbano do Porto. Construído na Rua das Carmelitas, onde no início do século XX se experimentavam diversíssimas formas e feitios transformadores das práticas construtivas convencionais (entre as quais a livraria Lello & Irmão, da autoria de Xavier Esteves, é o exemplo mais flagrante), Marques da Silva retoma a construção em granito evitando rupturas de textura com os seus vizinhos. Porém, em vez de uma composição em três partes iguais com a modelação corrente do Porto, opta por estreitar o módulo da porta de entrada para as escadas e alargar os módulos exteriores oferecendo uma superfície mais generosa para as montras comerciais. A forma reflecte um programa novo, os escritórios destinados à economia de serviços que se instalava e as grandes montras ao comércio de produtos industriais, com novas lógicas de mercado e de relação com o público urbano. Esta razão explica a adopção de uma viga metálica no topo da laje do piso, permitindo às pilastras verticais libertarem-se dos compromissos horizontais piso a piso e alcançarem a cércea corrente com uma escala monumental. Os últimos dois pisos, em balanço sobre a rua, dramatizam a espessura das pedras da fachada, sugerindo que a forma do edifício decorre da escavação de uma grande massa, à moda das beaux-arts, e não da sobreposição construtiva de um sistema trilítico.
Esta subtileza compositiva confere ao edifício o carácter de uma grande massa tratada esculturalmente, e esse carácter contrasta profundamente com a expressão dos seus vizinhos.
Este mecanismo de provocar o contraste vai ser posteriormente explorado pelo arquitecto e por muitos dos seus discípulos, transformando definitivamente a expressão da cidade.

Bibliografia de referência

CARDOSO, António, O arquitecto José Marques da Silva e a arquitectura no Norte do País na primeira metade do séc. XX, Porto, Faup-publicações, 1997.

Localização
Porto, Rua das Carmelitas, 100
Google Map

© fundação instituto arquitecto josé marques da silva / uporto / design: studio andrew howard / programação: webprodz