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Palácio do Comércio « voltar às obras

 

 

Palácio do Comércio, fotografias da exposição de homenagem a Marques da Silva realizada em 1953

 

Autoria do Projecto: arquitectos David Moreira da Silva e Maria José Marques da Silva Martins.
Autoria da Escultura O Triunfo da Indústria de Henrique Moreira. Escultura que coroa a fachada nascente.
Responsabilidade dos Cálculos e Obra de Betão Armado: Engenheiro António Augusto Guimarães Teixeira Rego.
Localização: cidade do Porto, bloco de habitação e serviços delimitado pelas ruas de Sá da Bandeira, de Fernandes Tomás, da Firmeza e do Bolhão.


Início do Projecto: Julho de 1940
Data do Início da Obra: 1946
Data de Conclusão da Obra: 1954

 

Compreender e conhecer as circunstâncias que conduziram à edificação do Palácio do Comércio, as opções formais, estéticas e funcionais assumidas pelos arquitectos a nível do projecto e da sua concretização, aquando da eleição/selecção do projecto pelo cliente, remeteu-nos para uma reflexão sobre a realidade urbana da cidade, na primeira metade do século XX.
Edifício construído a partir de uma preocupação de planeamento urbano por parte da Câmara Municipal que, desde a década de vinte, procurava redesenhar o território. Desta preocupação destacamos a necessidade do prolongamento e regularização da Rua de Sá da Bandeira (entre as ruas Fernandes Tomás e Gonçalo Cristóvão), encarada como uma unidade espacial cuja conformação se perspectivaria no complexo morfológico e circulatório do centro da cidade (MENDES, 2001), das ruas Firmeza e Fernandes Tomás e do alargamento da rua do Bolhão. Um espaço remetido para o silêncio, para o esquecimento e no qual se confrontaram realidades distintas: as marcas de uma tardia industrialização, alguns traços de ruralidade a par de uma nova ideia de cidade. Numa zona ocupada pela Fundição do Bolhão, pequenas edificações mistas com terrenos de cultivo e terreno municipal, era imprescindível pensar-se na criação de uma nova rede viária e na expansão da cidade, urbanização essa feita a partir da eliminação dos primeiros espaços, segundo uma lógica de serviços aliada a uma outra, a de comércio/residência. A Firma Ferreira & Filhos Lda, representada por Delfim Ferreira, um dos filhos do industrial Narciso Ferreira de Riba de Ave, adquiriria, no início da década de quarenta, todo o terreno para construção de um edifício. A sua edificação devia respeitar diversas condições impostas pela Câmara Municipal do Porto, sendo uma delas a proibição de ser utilizado para qualquer actividade fabril.
O primeiro projecto, daquele que seria/é comummente conhecido como Palácio do Comércio, terá sido pensado, desde o início, como um bloco quarteirão e realizado em mil novecentos e quarenta, pelo arquitecto - urbanista David Moreira da Silva.
Cerca de dez anos demorou a instituição a amadurecer a ideia de organização espacial desta zona, sujeita à discussão das diversas propostas como resposta às múltiplas necessidades: sociais, políticas, económicas, culturais e éticas. A Câmara torna-se mediadora neste processo, expropria, desenha, cria a infra-estrutura e vende, impondo um plano de ocupação funcional e formal de uma construção que dá lugar, constrói um espaço humano destinado às relações sociais (FREITAG, 2004).
De acordo com este plano, o primeiro projecto apresenta um edifício sólido e compacto: um volume fechado; com seis pisos, destinando-se o térreo a comércio; com três pátios/saguão ocupados por pequenas zonas ajardinadas, definidos por dois corpos interiores transversais. A fachada de gavetos curvos com demarcação dos ângulos e remates sugerem-nos soluções já utilizadas no edifício quarteirão do Conde de Vizela do arquitecto Marques da Silva.
Uma resposta enviada por carta por David Moreira da Silva ao pai dá a entender a existência de um concurso informal anterior a 1944 e mostra a preferência pelo projecto do arquitecto por parte de Delfim Ferreira. Na verdade, existia um outro da autoria do arquitecto Viana de Lima, datado de 1943, de grande divulgação mediática. Um dos jornais de referência da cidade informava a população, no dia vinte e sete de Julho desse ano, da entrega feita do projecto na Câmara Municipal do Porto para apreciação. Edifício de vanguarda, moderno, aberto ao exterior, de linguagem Corbusiana: habitações em duplex com terraço, fenestração, piso térreo recuado, terraço-jardim na cobertura, distribuição em galerias, leitura horizontal da fachada, ossatura metálica. Viana de Lima destinava o edifício a habitação, estabelecimentos comerciais, escritórios, central telefónica, salão de festas e exposições e ainda, uma sala destinada a concertos, situada no subsolo, com capacidade para 900 espectadores. Por alguma razão este projecto foi preterido ao de David Moreira da Silva e de Maria José Marques da Silva Martins, pelo cliente ou pela Comissão de Estética da Cidade.
Em 1944, o projecto agora assinado pelos dois arquitectos, David Moreira da Silva e Maria José Marques da Silva, apresentava quatro programas todos eles multifuncionais, tendo em comum a sua organização em nove pisos: um subsolo, um rés-do-chão, seis andares e cobertura destinada a jardim, solarium e parque infantil.
Em 1946, o atelier dos dois arquitectos entregaria um novo projecto sujeito a diversos aditamentos que determinariam a sua conclusão em 1954. Edifício mais alto, de grafia monumental, e, por isso mais apropriado à zona central da cidade a que se destinava, um ícone na paisagem urbana.
Retoma gramáticas antigas com a da Escola de Chicago, um grande ecletismo com destacadas componentes artes déco e clássica. Da primeira evidenciam-se as fachadas movimentadas pelos avanços e recuos das paredes, os colunelos e vãos pontuados com pequenos motivos geométricos inscritos na serralharia e coroadas por pérgolas, lettering e uma escultura alegórica. Da segunda destaca-se a marcação horizontal e tripartida das fachadas, nas quais a base destinada a comércio e acessos é definida e separada por uma impositiva pala do corpo central multifuncional (escritórios, habitações, auditório, salão de festas e de exposições) e este rematado por uma platibanda, elemento arquitectónico e plástico de demarcação do terraço-jardim. Pequena cidade de serviços e lazer para uma burguesia requintada e consumista.
Edifício sólido inscrito no solo que se quis monumental e estruturador de um espaço que foi passado e é actual. 

 

Maria do Carmo Pires

Doutoranda da FLUP

Investigadora do CEPESE

                                                                                                           

Bibliografia de referência
ALMEIDA, Pedro Vieira de (Coord.) - Viana de Lima. Arquitecto 1913-1991. Porto: Árvore – Centro de Actividades Artísticas, CRL/ Fundação Calouste Gulbenkian, 1996.
MARQUES DA SILVA. Exposição Conjunta das Principais Obras do Mestre e de Alguns dos Seus Alunos. Homenagem Promovida pela Escola Superior de Belas Artes Do Porto com a Academia Nacional de Belas Artes e do Sindicato Nacional dos Arquitectos. Porto: ESBAP, Dezembro de 1953
FREITAG, Michel -  Arquitectura e Sociedade. Lisboa: Publicações D. Quixote, 2004.
MENDES, Manuel - Rua de Sá da Bandeira. In “Porto 1901/2001, Guia da arquitectura moderna”. Ficha 5. Porto: Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos e Livraria Civilização Editora, 2001
SEIXAS, Paulo Castro; SEABRA, Daniel – Centro Residencial Conde de Riba D’Ave: A produção simbólica de Um Espaço. In MENDES, José Amado; FERNANDES, Isabel (Coords.) - Património e Indústria no Vale do Ave – Um Passado Com Futuro. Vila Nova de Famalicão: ADRAVE, Novembro de 2002.
SOUSA, Fernando de; ALVES, Jorge Fernandes - A Associação Industrial Portuense. Para a História do Associativismo Empresarial. Porto: Associação Industrial Portuense, 1996.
TÁVORA, Fernando - Da Organização do Espaço. Porto: FAUP publicações, 2006.

Fontes
AHCMP (Arquivo Histórico da Câmara Municipal do Porto): Boletins da Câmara Municipal do Porto e Licenças de Obras.
1ªCRPP  (1ª Conservatória do Registo Predial do Porto): Livros de DescriçãoPredial e de Inscrição de Transmissão
FIMS (Fundação Instituto Arquitecto José Marques da Silva): Fotografias, Processos de Obras, Correspondência

Periódicos
Comércio do Porto  1941, 1942
O Primeiro de Janeiro 1940, 1941,1943
Jornal de Notícias 1944

 

 Fachada lateral Nascente voltada para a Rua Sá da Bandeira, projecto assinado por David Moreira da Silva, Março de 1940

 

Fachada lateral Nascente voltada para a Rua Sá da Bandeira, projecto assinado por David Moreira da Silva e Maria José Marques da Silva, Setembro de 1944

 

Localização

Edifício-quarteirão:

 Porto, Rua de Sá da Bandeira / Rua do Bolhão / Rua Firmeza / Rua de Fernandes Tomás

 

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