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Sociedade Martins Sarmento, Guimarães « voltar às obras

 

Início do projecto 1899
Data de início da obra 1901
Data de inauguração 1908
 

Projeto de ampliação do edifício 1934
José Marques da Silva (1899-47); Maria José e David Moreira da Silva (1947-67)
Data de inauguração solene 1967



A Sociedade Martins Sarmento (SMS) foi fundada em 1880, para homenagear em vida o notável arqueólogo vimaranense, mas debatia-se inicialmente com a falta de uma sede própria, funcionando (por arrendamento ou empréstimo) em espaços que não permitiam o pleno desenvolvimento dos seus projetos culturais, que incluíam uma biblioteca, um museu de arqueologia e numismática, bem como aulas do ensino primário, secundário e noturno. Em 1887, a Câmara Municipal de Guimarães cede à SMS o edifício do extinto Convento de São Domingos (já parcialmente demolido, em 1873, para abertura da rua Paio Galvão).

A comissão de instalação presidida por Francisco Martins Sarmento decidiu, em 1890, construir um novo corpo, com fachada para a rua Paio Galvão. Em 1895, é inaugurada a galeria de exposições do Museu Arqueológico no claustro, após obras de adaptação da autoria do Engenheiro Inácio Teixeira de Menezes, que vai também desenhar uma primeira proposta para a fachada principal do novo edifício; o desenho, no entanto, não é considerado satisfatório. José Marques da Silva é convidado a elaborar o projeto para construção do novo edifício em maio de 1899, pouco antes do falecimento (em agosto) de Francisco Martins Sarmento (que lega todos os seus bens à SMS); a escolha é aprovada pelo próprio Inácio de Menezes, que afirma: “ele é arquiteto, e bom, e eu em arquitectura nem a curioso chego” (NEVES, 2006, p.8).

A ligação de José Marques da Silva a Guimarães tinha sido iniciada quatro anos antes, na direção das obras do Santuário de S. Torcato, que assume em 1895, introduzindo pequenas alterações ao projeto inicial de Louis Bohnastedt, de 1867. Terão sido os contactos aí realizados (nomeadamente com João Gualdino Pereira, mesário da Irmandade de S. Torcato e membro da Direção da SMS) que lhe proporcionam o convite para a obra da Sociedade Martins Sarmento.

Marques da Silva, que realizou este trabalho sem cobrar honorários, apresentou o projeto em 1900. Este foi aprovado ainda nesse ano, sendo a primeira pedra da construção lançada em 1901; em 1905 está concluída a fachada principal do edifício que é inaugurado dois anos depois. O edifício, nesta primeira fase, está terminado em 1908; um vestíbulo no R/C dá acesso, através de uma escada provisória, ao salão nobre no piso superior (NEVES, 2006, p.7-9). O projeto aposta numa imagem monumental, cuja linguagem eclética (onde se cruzam influências “do visigótico, do bizantino, do moçárabe e do românico”) parece resultar diretamente da formação “Beaux-Arts” do seu autor (que tinha obtido o seu diploma de Arquiteto em Paris, em 1895), adaptada ao ambiente local. O seu desenho procura uma adequação ao sítio, “rematando o quarteirão e redesenhando a nova rua”, mas também aposta numa atitude cenográfica face à cidade, com uma volumetria imponente, enfatizada pelo desenho da cornija e pelo jogo de sobreposição de escalas da fenestração, onde se destacam as grandes arcadas do piso nobre em contraste com as pequenas janelas do piso térreo. Os frescos da fachada principal e do salão nobre são de autoria do pintor Abel Cardoso (CARDOSO, 1997, p. 312-314).


Em 1934 é iniciado o projeto para as obras de ampliação do edifício da SMS, fazendo a ligação com a escadaria e o claustro do antigo Convento de S. Domingos, segundo novo projeto de Marques da Silva. As obras iniciaram-se no final de 1934, ainda com o projeto em curso. Previam, no piso superior, novas instalações para a biblioteca, com arquivo e sala de leitura, e instalações para a presidência e o secretariado da SMS; no piso inferior ficariam as salas do Museu. A linguagem dos alçados é despojada, assumindo um papel subalterno em relação ao edifício anterior. O projeto completo, em triplicado, é entregue em 1936 e serve para a SMS pedir uma comparticipação do Estado na construção; recebe uma pequena ajuda, em 1937, mas em 1938 é decidido que o Estado não irá comparticipar a obra. As obras prosseguem até que, em 1943, são interrompidas.


Após o falecimento (em 1947) de Marques da Silva, a execução desta nova fase é acompanhada por Maria José Marques da Silva e David Moreira da Silva, filha e genro do mestre, que continuaram todos os projetos que estavam em curso no escritório.
Em 1953 é apresentado o projeto da escada principal do novo edifício.
Em 1957 é lançado o concurso de empreitada da conclusão do edifício, que é terminado em 1967.

Eduardo Fernandes
  Arquiteto Doutorado (EAUM - LAB2PT)

 


Fontes:
Documentação consultada no espólio do arquiteto Marques da Silva, Fundação Marques da Silva: dossier FIMS/MSMS/1337.

Bibliografia
CARDOSO, António (1997) O Arquitecto José Marques da Silva e a arquitectura no Norte do país na primeira metade do século XX. Porto, FAUP publicações.
FERRÃO, Bernardo; AFONSO, José Ferrão (2002). Edificações do Centro Histórico e sua envolvente com interesse patrimonial (fichas). In MORAIS, Margarida; VAZ, Madalena, coord. - Guimarães Património Cultural da Humanidade. Guimarães: Câmara Municipal de Guimarães/GTL, Vol. I, pág. 186-379.
NEVES, António Amaro das; SARMENTO, Inês (2006) José Marques da Silva em Guimarães. IAJMS / SMS, Guimarães.
TAVARES, André (2010) Em granito, a arquitectura de Marques da Silva em Guimarães. FMS / CMG / FCG.

 

Localização
Rua Paio Galvão, 4814-509, Guimarães
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