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O Ensino Moderno da Arquitectura: A formação do arquitecto nas Escolas de Belas-Artes em Portugal (1930-1970)
Gonçalo Canto Moniz

José Marques da Silva, Janeiro de 1933, Projeto para a Escola de Belas-Artes do Porto: Planta do rés-do-chão e do primeiro piso. © Fundação Marques da Silva.

 

A Fundação Marques da Silva, em parceria com as Edições Afrontamento, está a preparar a publicação de O Ensino Moderno da Arquitectura: a formação dos arquitectos nas Escolas de Belas-Artes do Porto e de Lisboa (1930-1970), obra de Gonçalo Canto Moniz que tem como base o estudo desenvolvido no âmbito da tese de doutoramento, defendida em 2011, no Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra, agora revisto e adaptado. Com este livro dar-se-á continuidade à linha editorial iniciada em 2013 com a publicação da obra O mundo ordenado e acessível das formas da arquitetura, da autoria de José Miguel Rodrigues, tendo em vista a divulgação de estudos originalmente desenvolvidos em contexto académico, mas cujas temáticas e abordagens permitem enriquecer a reflexão e questionamento do quadro disciplinar, teórico e formativo, da Arquitectura em diálogo com o campo de actuação prática.

 

Sinopse

O Ensino Moderno da Arquitectura acompanha o quotidiano das Escolas de Belas-Artes do Porto e de Lisboa, responsáveis pela formação dos arquitectos portugueses entre 1930 e 1970. Neste período, as escolas sofreram transformações profundas, não só devido ao debate cultural sobre a Arquitectura moderna, mas também à tensão política imposta pelo Estado Novo. De facto, nestes 40 anos, a formação do arquitecto começa por ter um carácter artístico, com a reforma do ensino de 1931, para depois exigir um carácter técnico com a reforma de 1957 e finalmente reivindicar um carácter social com as experiências pedagógicas de 1970.
Neste sentido, as reformas do ensino e a sua regulamentação são o encontro possível entre o programa ideológico do regime e a vontade de transformar os métodos pedagógicos e a prática da Arquitectura que os professores e os arquitectos Portugueses apreendiam em publicações e nos congressos internacionais.
O quotidiano nas escolas de Belas-Artes é reflexo deste debate e da acção da direcção, dos professores e dos estudantes, quer através das actividades pedagógicas, quer na organização das actividades extra-curriculares, ou mesmo na construção dos seus espaços. Esta complexa rede de relações dá corpo, primeiro, à crítica ao ensino Beaux-Arts e, consequentemente, à construção, implementação e transformação do ensino moderno.Pretende-se assim, pela primeira vez, observar, nas duas escolas Portuguesas, o processo paralelo mas diverso de passagem do sistema Beaux-Arts para um novo paradigma de ensinar e fazer Arquitectura, o sistema moderno. Este processo de transformação está na génese da integração da Arquitectura na universidade, sendo uma ferramenta essencial para pensar a formação do arquitecto hoje.

 

Sobre o autor:

Gonçalo Canto Moniz é licenciado em Arquitectura (1995) pelo Departamento de Arquitectura da FCTUC, onde é Professor Auxiliar, membro da Comissão Editorial da e|d|arq e editor da revista JOELHO. É investigador do Núcleo Cidades, Culturas e Arquitectura (CCArq) e membro da Direcção Executiva do Centro de Estudos Sociais da UC. É doutorado pela Universidade de Coimbra (2011) com a tese "O Ensino Moderno da Arquitectura. A Reforma de 57 e as Escolas de Belas Artes em Portugal (1931-69)". Tem investigado e publicado sobre a Arquitectura Moderna em Portugal, nomeadamente sobre os equipamentos liceais, o ensino da arquitectura e os espaços da justiça, sendo autor do livro "Arquitectura e Instrução: o projecto moderno do liceu, 1836-1936" (e|d|arq, 2007).
Sobre os Projectos para a Escola de Belas-Artes, publicou:
Moniz, Gonçalo Canto (2011), "Património e Ensino: Os projectos de ampliação da E(S)BAP [1911-2011]", Património em Construção. Lisboa: LNEC
Moniz, Gonçalo Canto (2010), "Ensino Moderno da Arquitectura: Currículo, Pedagogia, Edifício", Arquitectura 21, 13, pp. 60-65
 

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