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Património Edificado sob gestão da FIMS



Fotografia Pedro Alves            Fotografias João Ferrand               

Consciente da necessidade de exercer uma prática de intervenção perspetivada no contexto programático e estratégico da instituição, de respeito pelo legado material e imaterial a salvaguardar e assegurando a aplicação de uma metodologia assente em parâmetros de qualidade e rigor inquestionáveis, onde se torna fundamental o estabelecimento e valorização do diálogo com as fontes documentais que registam a génese das obras a intervir, a Fundação tem vindo, desde 2009, a executar um plano de ações estruturadas sobre o património imóvel que tem sob gestão:

- 2008/2009 | Reabilitação de Pavilhão do Jardim e Garagem para Serviços e Arquivo FIMS
- 2009/2010 | Reabilitação das coberturas, caixilharias e fachadas da Casa-Atelier e Palacete Lopes Martins
- 2009/2012 | Reabilitação do Edifício da Rua de Alexandre Braga
- 2011 | Reabilitação parcial do interior do Palacete Lopes Martins
- 2013/2014 | Reabilitação da fachada e 2 escritórios do edifício da Rua das Carmelitas
- 2013/2015 | Reabilitação da Casa-Atelier de Marques da Silva

 

 

 

2008/2009 | Reabilitação de Pavilhão do Jardim e Garagem para Serviços e Arquivo FIMS


Fotografias João Ferrand    


Início do projeto de reabilitação: 2008
Conclusão da empreitada: 2009

Equipa projetista: Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura da U.Porto (CEFA)

 

As obras de recuperação do pavilhão e garagem situados nos jardins das casas da Praça do Marquês para instalação transitória de parte do acervo documental (nomeadamente, arquivo, biblioteca e coleção de pintura) e dos serviços da FIMS concluiram-se em Outubro de 2009, passando, desde então, o espaço a funcionar como sede administrativa e arquivo da FIMS. A intervenção, desenvolvida com base num quadro de grande contenção financeira, previa adaptar as pré-existências às novas funcionalidades, assegurando condições de segurança e conforto ambiental em todo o edifício, sem deixar de manter as características e expressão exterior do edifício, parte integrante do conjunto habitacional de origem. O projeto incluiu ainda a reabilitação do perímetro dos edifícios e do acesso pela Rua Latino Coelho.
 

Com esta intervenção, a Fundação melhorou substancial e qualitativamente as condições técnicas de salvaguarda de uma parte importante da documentação, as condições de trabalho da equipa técnica e o acolhimento aos investigadores. A transferência destas valências funcionais para o novo espaço permitiu ainda criar condições para iniciar a obra de recuperação das coberturas, caixilharias e fachadas dos edifícios principais: Casa-Atelier de Marques da Silva e Palacete Lopes Martins.

 

Registo fotográfico da intervenção, por João Ferrand

 

 

 

2009/2010 | Reabilitação de coberturas, caixilharias e fachadas da Casa-Atelier e Palacete Lopes Martins


Fotografias NCREP (1); AOF (2,5,6); Egídio Santos (3,4,7).
 

Início do projeto de reabilitação: 2009
Conclusão da empreitada: 2010

Equipa projetista: Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura da U.Porto (CEFA)

 

A execução destas obras, incluídas no âmbito do projecto de eficiência energética dos edifícios celebrado entre a U. Porto e o governo, vieram transformar profundamente a imagem exterior dos edifícios da Praça do Marquês, beneficiando a imagem da Fundação e exercendo um forte impacto na leitura da sua envolvente urbana. Entre 2009 e 2010 foram recuperados telhados, todas as portas e janelas exteriores, bem como as fachadas da Casa Atelier de Marques da Silva e do Palacete Lopes Martins. Foram ainda, extensivamente, recuperados todos os portões e gradeamentos das casas e jardins no seu perímetro exterior.
 

No que pode ser considerada uma primeira fase da intervenção de restauro e reabilitação a empreender sobre este dois imóveis onde assenta a essência patrimonial do legado da filha e genro do arq.to José Marques da Silva à Universidade do Porto, foi dado um impulso fundamental para a valorização das casas. Com a conclusão desta empreitada, para além de poderem aguardar em segurança o desenvolvimento de novas intervenções, foi-lhes devolvida a dignidade urbana e identitária, com ela se exaltou o equilíbrio e serenidade clássica do Palacete Lopes Martins, adquirido por esta família em 1886, e sublinhou o carácter expressivo e original do traçado arquitetónico da Casa-Atelier de Marques da Silva, projetada em 1909, pelo próprio arquiteto.

 

Registo fotográfico da intervenção, por João Ferrand

 

 

 

2009/2012 | Reabilitação do Edifício da Rua de Alexandre Braga


Fotografias João Ferrand    

 

Início do projeto de reabilitação: 2009
Conclusão da empreitada: 2012

Equipa projetista: Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura da U.Porto (CEFA)
 

A recuperação e reabilitação do Edifício da Rua Alexandre Braga, nº 94, no Porto, obra projetada pelo arquiteto José Marques da Silva  em 1923 e construída entre 1925/28 para rendimento próprio, visou essencialmente colmatar as patologias evidenciadas pela passagem do tempo e melhorar as condições de habitabilidade e conforto, preservando os valores e características arquitetónicas existentes: do sistema construtivo à qualidade espacial das frações, da integração dos elementos decorativos à própria inserção urbana - atributos de uma arquitetura aparentemente corrente, mas com uma presença inequívoca do seu autor.  Sendo um projeto da autoria de José Marques da Silva, foram documentadas as versões e hesitações dos projetos originais (1925 e 1928), cuja análise e constatação, em paralelo com os dados recolhidos do processo de diagnóstico ao estado de conservação, vieram a revelar-se fundamentais para aferir a orientação e soluções propostas e aplicadas durante a obra de reabilitação.
 

Distinguida pela Câmara Municipal do Porto com o Prémio João de Almada 2014*, a obra foi considerada unanimemente pelo Júri o melhor exemplo de reabilitação entre as obras concorrentes por constituir uma recuperação discreta e atenta, sob o lema "menos é mais" em que menos alteração é mais autenticidade, num imóvel simbólico, associado a uma edificação que faz cidade. O uso é mantido, a habitação valorizada.

Esta distinção, entregue em cerimónia pública a 10 de novembro de 2014, nos Paços de Concelho, constituiu um importante incentivo para a prossecução de uma prática que se pretende de referência.

Registo fotográfico da obra, por João Ferrand
Registo fotográfico final, por João Ferrand
 


* A intervenção do CEFA foi desenvolvida pelos arquitetos Francisco Barata, Nuno Valentim e José Luís Gomes. O Prémio João de Almada foi instituído em 1987 para incentivar e promover a recuperação do património arquitetónico do Porto, sendo atribuído, de dois em dois anos, pelo município ao melhor exemplo de reabilitação concluído na cidade. Durante o mês de  outubro estiveram expostos todos os trabalhos concorrentes a esta edição..

 

 

 

2011 | Reabilitação parcial do interior do Palacete Lopes Martins


Fotografias FIMS 

Início do projeto de reabilitação: 2010
Conclusão da empreitada: 2011

Equipa projetista: Atelier 15
 

A intervenção projetada para o Palacete Lopes Martins, em 2011, teve como objetivo promover a sua adequação parcial à necessidade de albergar, no imediato, o acervo do Arq.to Fernando Távora, cedido à Fundação Marques da Silva, em regime de comodato, em abril desse mesmo ano. O edifício data da década de setenta do século XIX. Mandado construir por Narciso José da Silva, tornou-se posteriormente propriedade da família Lopes Martins, à qual pertence D. Júlia Lopes Martins, mulher do arq.to José Marques da Silva que, entre 1906 e 1909, projeta a remodelação de alguns dos seus espaço. Apesar desta intervenção, tendo sido habitado pelo próprio arquiteto desde 1943 até à data do seu falecimento, em 1947, e pelos seus descendentes até 2002, continua, ainda hoje, enquanto sede da Fundação Marques da Silva, a preservar, no essencial, as características construtivas e funcionais presentes em 1886, altura da sua compra por parte da avó de D. Júlia, D. Catarina Lopes Martins.


Com a conclusão da empreitada de reabilitação, os espaços intervencionados, sem perda das suas características e leitura do conjunto, foram dotados de condições mínimas para o uso pretendido: instalar e preservar o arquivo e biblioteca profissionais do Arq.to Fernando Távora. A intervenção procurou igualmente não comprometer futuras obras que visem a reabilitação concertada e global do edifício.
 

Durante a execução da empreitada, foi ainda decidido empreender a limpeza e consolidação das pinturas decorativas de paredes e tetos das salas do primeiro piso e das áreas de circulação interna do edifício. Obras que se vieram a revelar cruciais para a utilização do Palacete no acolhimento de iniciativas de carácter público, onde, apesar de se assumir o estado transitório e a carência de uma intervenção mais profunda, foi possível receber dignamente todos os interessados em participar e/ou visitar o palacete.

 

 

 


2014 | Reabilitação da fachada e 2 escritórios do edifício da Rua das Carmelitas


Fotografias FIMS 

Fachadas

Início e conclusão da empreitada: 2014
Empresa responsável: Sociedade de Construções Mário Freitas

 

Remodelação de dois espaços de escritórios no 4º piso

Início do projeto: 2013
Conclusão da empreitada: 2014

Equipa projetista: Nuno Valentim, Arquitectura e Reabilitação, L.da


O edifício da Rua das Carmelitas nº 100, no Porto, também conhecido como o Edifício das 4 Estações, designação que lhe advém dos quatro relevos que rematam as pilastras do alçado principal, executadas a partir de modelos esculpidos por Teixeira Lopes, pertence ao núcleo de projetos emblemáticos da autoria de José Marques da Silva. Projetado enquanto prédio de rendimento, em 1905, sobre terreno do antigo Convento de S. José e Santa Teresa das Carmelitas Descalças, arrematado em hasta pública, nele viveu, antes de se transferir para a Casa-Atelier da Praça do Marquês de Pombal. É essa a morada que apresenta quando se desloca a Roma para o Congresso Internacional dos Arquitectos, em 1911, um espaço de habitação construído sobre um território laboratorial, de experimentação de novas formulações teóricas e estéticas, exemplo de uma nova linguagem, de um novo programa urbano.


A obra de recuperação da fachada do edifício, viabilizada pela parceria estabelecida com os Armazéns Marques Soares, veio fazer sobressair a monumentalidade e as subtilezas da sua modelação e conjuntos escultóricos, definindo os contrastes e a força da sua implantação sobre o espaço público.
 

No interior do edifício, foram ainda remodelados, de acordo com as exigências da vida atual, dois antigos escritórios situados no 4º piso, para habitação. Através de uma intervenção mínima, foram obtidos dois apartamentos tipo T0, com condições de habitabilidade asseguradas e sem alteração da configuração e características construtivas da pré-existência.
 

Registo fotográfico final, por João Ferrand


 

 

 


2013/2015 | Reabilitação da Casa-Atelier de Marques da Silva



Fotografias João Ferrand    


Início do projeto de reabilitação: 2013
Conclusão da empreitada: 2015

Equipa projetista: Atelier 15
 

A obra de reabilitação da Casa Atelier de Marques da Silva reveste-se de um carácter particularmente relevante no conjunto do património edificado sob gestão da FIMS: projetada pelo arquiteto, em 1909, sobre terreno contíguo ao Palacete, então propriedade do tio, José Lopes Martins, viria a ser local onde viveu, local onde exerceu uma parte importante da sua prática profissional, local onde toda uma geração de arquitetos completaria a sua formação em exercício, entre eles, a sua própria filha e genro, Maria José e David Moreira da Silva, de uma lista onde se inscrevem nomes como os de Rogério de Azevedo, Manuel Marques, Homero Ferreira Dias, Ricardo Spratley, Bruno Reis ou Arménio Losa. Memórias que cruzam a vida real e quotidiana, o território do humano, com a transformação/construção da(s) cidade(s), o território da arquitetura.
 

Testemunho de uma época e de uma linguagem, imagem de um arquiteto, em si mesmo simbólico para a interpretação do fazer e ensinar arquitetura no Porto, a casa acaba por ver iniciada a empreitada de reabilitação no ano em que passam 100 anos sobre a data em que o seu autor a elege como local de vida, 1914; aí acabará por nascer a sua filha Maria José Marques da Silva. A intervenção vem assim cumprir o desígnio firmado nas disposições testamentárias de Maria José e David Moreira da Silva, mas constitui-se simultaneamente uma forma maior de celebração do centenário do nascimento da primeira mulher a formar-se em arquitetura, da arquiteta cuja visão está, afinal, na base da futura criação desta Fundação.
 

A conversão funcional de origem - casa familiar e lugar de formação e exercício da arquitetura - em sede da Fundação Marques da Silva, atualmente em curso, condicionada pelo respeito e preservação da natureza do preexistente, pelos aspetos programáticos da reposição, reconversão ou reutilização ou do simples restauro, assenta na ideia de que Recuperação e criação serão complemento e não especialidades passíveis de tratamentos autónomos [...] em que o projeto integrado de desenvolvimento passa por manter vivo e presente o passado visitável, sobretudo aquele que mantém potencialidades de reutilização social, o que não exclui a importância simbólica e mítica do monumento silencioso *.       
 

Adjudicada à empresa AOF L.da, a empreitada foi concluída em setembro de 2015. A conclusão da obra foi publicamente assinalada no âmbito das Jornadas Europeias do Património.

 

Na edição 2017 do Prémio João de Almada, promovido pela Câmara Municipal do Porto, o projeto foi distinguido com Menção Honrosa.

 

Registo fotográfico da intervenção em curso, por João Ferrand
Ver Testemunho de Alexandre Alves Costa, recolhido pela equipa de Petra Rosea, em fevereiro de 2015

Registo fotográfico final, por João Ferrand
 

* in Proposta de projeto de recuperação da Casa-Atelier de Marques da Silva, apresentada por Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez, em fevereiro de 2013.

 

 

 

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