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Sistema de Informação Raúl Hestnes Ferreira


Papelaria da Moda (remodelação), Lisboa, 1966/68 (demolida)

 

"Chegou ao mediterrâneo por um longo e sinuoso caminho, do Porto à Finlândia, da ordem dos Modernos a Kahn, a Roma, à universalidade da ordem compositiva”. (Alexandre Alves Costa)

"Nem "neo-realista", nem "pós-moderno", sempre fora de moda, nem foto-arquitecto, nem maneirista do desenho, realista sem secura e formalista sem glamour [...] aquele que não pôs de lado a pesquisa formal e a vontade expressiva de arquitetos como Kahn, claro, mas também Aalto, Ridolfi, Scarpa, Johnson ou Rudolph, em nome da "comunicação" com o público, ou seja, em nome da tradição, fosse ela "vernacular", clássica ou modernista." (Paulo Varela Gomes)

 

Raúl Hestnes Ferreira (1931-2018), homem de fortes convicções, seguiu, enquanto arquiteto, um caminho próprio e singular que Alexandra Saraiva situa "entre a intemporalidade europeia e o classicismo norte-americano”. E basta referir a casa de Albarraque, a casa da Juventude de Beja, o Tribunal e Biblioteca da Moita, as duas casas geminadas de Queijas, a premiada agência da Caixa Geral de Depósitos de Avis, as instalações do ISCTE ou a Biblioteca da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, algumas das suas obras mais icónicas, para se perceber da sua importância no panorama da Arquitetura Portuguesa Contemporânea.
 

O acervo documental e profissional deste arquiteto, falecido em fevereiro do corrente ano de 2018, é constituído pela documentação produzida no seu Gabinete de Arquitetura entre 1960 e 2017, relativa a processos de projeto e processos de obra, compostos de peças escritas, peças desenhadas e maquetas, associada a um conjunto bibliográfico formado por livros e periódicos sobre Arquitetura, em geral, editados a partir de meados do seculo XX, onde se encontram também representadas temáticas mais específicas como Teoria da Arquitetura, Detalhes de Arquitetura, Manuais de construção, Equipamentos, Habitação Social e Urbanismo. No atelier do Largo da Graça, em Lisboa, agora desmontado, estavam ainda os registos da sua própria formação, mas também da atividade docente, com destaque para uma coleção de diapositivos, elementos fulcrais para as aulas lecionadas nos diferentes estabelecimentos de ensino por onde passou e onde marcou várias gerações de arquitetos que com ele aprenderam a projetar e a compreender a Arquitetura: Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, Cooperativa Árvore, no Porto, Universidade de Coimbra, ISCTE e Universidade Lusófona, em Lisboa.

 

Com a exceção de algumas peças de mobiliário, por si desenhadas, doadas ao MUDE, e das monografias inseridas na sua Biblioteca de Arquitetura, doadas à Universidade Lusófona, foi este o acervo doado pelos herdeiros de Raúl Hestnes Ferreira à Fundação Marques da Silva. Um conjunto impressionante de documentos que refletem quase 60 anos de entrega contínua ao exercício da Arquitetura.

Consultar: Arquivo Digital.

Sessão de assinatura do contrato de doação (2018): Cinco dedos de uma mão: conversa a partir do projeto para a Escola de Benfica

Síntese biográfica de Raúl Hestnes Ferreira

 

Em junho de 2020, a Fundação Marques da Silva deu início a um amplo projeto de tratamento do acervo. São milhares de registos em processo de limpeza e reacondicionamento. Um passo fundamental para o desenvolvimento de novas ações.

Ver: álbum #1 e Vídeo #1

 

Outras ações:

2018, Dia Internacional dos Museus, "A Encomenda"
2020, "A Encomenda" é seleccionada para a Toronto Society of Architects Playlist (Architecture and Context)
JackBackPack, The Package



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