A Fundação
Os Arquitectos
A Documentação
Património Edificado
Investigação
Edições
Conferências
Colóquios
Exposições
Cursos
Visitas Guiadas
Viagens Culturais
Outras iniciativas
Gravações vídeo
Newsletter
Contactos
Loja
Destaques
Carrinho de Compras
Arquivo digital
Catálogo bibliográfico
facebook
facebook

Sistema de Informação Octávio Lixa Filgueiras

ESBAP, disciplina de Arquitectura Analítica do Professor Octávio Lixa Filgueiras: Operação Barredo, levantamento de António de Brito, 1967-68

 

... conhecer para compreender (...) Para muitos o arquitecto é o que faz; para uns tantos, o arquitecto também pensa; para os que sabem, o arquitecto, para realizar-se tem de saber fazer e, ao mesmo tempo, conhecer as coisas, e os homens, e o mundo, e a vida...

Octávio Lixa Filgueiras, Da Função Social do Arquitecto, 1985, p.16

 

Octávio Lixa Filgueiras (1922-1996) foi um dos primeiros arquitetos portugueses a explorar ligações entre a arquitetura e as ciências sociais. Para além de arquiteto, Lixa Filgueiras foi também etnógrafo e arqueólogo. Formou-se na Escola de Belas Artes do Porto (ESBAP) em 1953, onde foi aluno de Carlos Ramos e colega, entre outros, de Fernando Távora, Fernando Lanhas, João Andresen ou José Carlos Loureiro. Na sua tese de licenciatura (CODA) Lixa Figueiras apresentou uma inovadora abordagem teórico-prática à questão do mundo rural como um tema central para o urbanismo moderno. Filgueiras foi membro da Organização dos Arquitectos Modernos (ODAM) e participou nas reuniões preparatórias do grupo CIAM Porto. É neste contexto que retoma a investigação da CODA para escrever sobre o Habitat, procurando dar o seu contributo para a elaboração em 1953 da Charte de l’Habitat (A Carta do Habitat), o documento que os membros do CIAM Internacional ambicionavam criar para complementar a famosa Charte d’Athènes de l’Urbanisme (Carta de Atenas do Urbanismo).
 

As reflexões de Filgueiras sobre a Carta do Habitat exploram a dimensão humanista e social da arquitetura. Esta dimensão viria a ser notória na sua participação no Inquérito à Arquitectura Popular desenvolvido entre 1955 e 1961. O trabalho de campo realizado pela equipa do Inquérito coordenada por Lixa Filgueiras na região de Trás-os-Montes e Alto Douro viria a ser essencial para o trabalho enviado pelo grupo CIAM PORTO para o CIAM 10 que se realizou em Dubrovnik em 1956. Foi igualmente um elemento central na sua atividade como docente da ESBAP, onde começou a sua carreira como professor em 1962. Entre 1960 e 1970, escreve o seu texto mais relevante, “A Função Social do Arquitecto.” Durante essa década promove também, na sua disciplina de Arquitectura Analítica, um método pedagógico inovador, os Inquéritos Urbanos. O seu interesse pelas pessoas, pelo seu habitat, pelos seus costumes e tradições leva-o também à arquitectura naval tradicional e erudita, tornando-se um dos principais estudiosos.


O seu espólio reflete o valioso contributo que Lixa Filgueiras representa para a cultura portuguesa em geral, e para a arquitetura em particular. Nos múltiplos papéis que desempenhou, o contributo intelectual de Filgueiras foi sempre orientado por uma profunda ética humanista que o coloca como um personagem essencial para as políticas de preservação do património cultural Português. Com a integração do seu espólio no acervo da FIMS (Fundação Marques da Silva), a produção intelectual de Filgueiras junta-se nesta instituição à de outros arquitetos do Porto que, como ele, contribuíram decisivamente para a criação e para a preservação do património arquitetónico em Portugal.
 

No Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, a 18 de abril de 2017, a Fundação Marques da Silva assinalou a doação do acervo do Arquiteto e Professor Octávio Lixa Filgueiras. O programa, comissariado pelos Professores Gonçalo Canto Moniz e Nelson Mota integrou, para além da formalização do gesto, através da assinatura do contrato entre a Presidente do CA da Fundação e os herdeiros de Octávio Lixa Filgueiras, um colóquio e uma exposição onde se procurou refletir sobre a forma como o problema do Habitat está presente nos seus textos, nos seus desenhos, nas suas fotografias, nos seus livros e também na sua arquitetura, debatendo o seu contributo para a consolidação de uma abordagem humanista na construção e preservação do património cultural e arquitectónico.

 

Octávio Lixa Filgueiras: da função social do arquiteto | Programa e Síntese das sessões

Ver Cartaz
Ver Desdobrável (com textos dos comissários e de Octávio Lixa Filgueiras)

Ver álbum fotográfico do programa de 18.04.2017

Octávio Lixa Filgueiras: o Habitat da Modernidade
+ info sobre a Exposição e Programação Paralela

 

© fundação instituto arquitecto josé marques da silva / uporto / design: studio andrew howard / programação: webprodz