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Sistema de Informação Manuel Botelho


Manuel Botelho, Cidade de Braga/Cittá di Braga - Universidade do Minho/Universitá del Minho: perspetiva, Trabalho Final de Curso - seção do painel 19, Universitá degli Studi di Roma - Facoltà di Architettura, Roma, 1978.

 

"A Arquitectura só poderá responder às realidades do mundo e da vida, na síntese de opostos que concilia racionalidade com intuição, lógica com sentimento, disciplina com fantasia, na atmosfera do bom senso que não renega, contudo, o lugar da poesia."

(Manuel Botelho, Arquitectura e Identidade, 1995)

 

O percurso de Manuel Botelho pelo território da Arquitetura não é um percurso comum. Cerca de uma centena de projetos que cruzam a arquitetura e o design de objetos, uma continuada reflexão teórica expressa em obra escrita e o exercício de 30 anos de prática docente na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, capaz de influenciar e entusiasmar as várias gerações de alunos que passaram pelas suas aulas, confirmam, porém, a intrínseca natureza de quem não poderia deixar de ser arquiteto. Essa é a disciplina que virá a determinar o seu modo de vida e o seu modo de ver o mundo, ainda que estes sejam igualmente indissociáveis da sua formação filosófica e do seu fascínio pela linguagem poética, que cultiva enquanto leitor e autor.
 

Nascido em Vila de Rua, Moimenta da Beira, em 1939, Manuel Botelho partiu para Roma, após frequentar o curso de Filosofia. Tinha como móbil licenciar-se em Teologia Sacra na Pontificia Università Gregoriana de Roma, o que acabaria por acontecer em 1972. Só que, entretanto, o apelo da Arquitetura se impõe, e acaba por tomar a decisão de se tornar arquiteto. Inscreveu-se então na Facoltà di Architettura dell´Università degli Studi di Roma - La Sapienza. Aqui, sob orientação de Ludovico Quaroni, com um projeto para a Universidade do Minho, em 1978, viria a obter a sua Laurea. De regresso a Portugal, optou por fixar-se no Porto, cidade onde funda gabinete próprio. Em 1980, na ainda Escola Superior de Arquitectura deu início à sua primeira experiência como docente, em Projecto V, sob regência do arquiteto Pedro Ramalho, tendo como colegas Álvaro Siza e Eduardo Souto Moura. Já como professor da Faculdade de Arquitectura da UP, com o arquiteto Fernando Távora, lecionou Teoria Geral da Organização do Espaço no ano letivo 1987-1988. Partilhou ainda as aulas de Métodos e Linguagens da Arquitetura Contemporânea, com o arquiteto José Salgado, e integrou a equipa de docentes de Projecto III. O seu percurso incluiu longos períodos de docência em Iniciação ao Projecto e Projecto I, entre 1982 e 1998, sob regência de Sergio Fernandez ou Alfredo Matos Ferreira e, entre 2006 e 2010, em co-regência com José Manuel Soares. Alfredo Matos Ferreira viria, aliás, a ser o seu orientador de tese de doutoramento sobre a Projectualidade em Arquitetura. Colaborou também na equipa de redação do projeto dos estatutos da FAUP e na equipa editorial da RA. Foi convidado a lecionar no Pólo de Modena, extensão da Faculdade de Arquitectura de Milão. Proferiu diversas conferências e participou em Seminários em Portugal, Espanha e Itália. O seu trabalho integrou várias exposições, com destaque para a Europália 1991 - Arquitectura Contemporânea Portuguesa, que decorreu em Bruxelas, tendo sido por diversas vezes distinguido: Prémio Nacional de Arquitectura Keil do Amaral (Primeiras Obras), em 1989, com a Casa Dr. Barroso Pires; várias menções honrosas; nomeação para o Prémio Mies van der Rohe 1994; finalista do Prémio Secil de Arquitectura 2002.
 

Os testemunhos dos seus alunos validam o seu carácter singular. Jorge Reis, na sua dissertação de mestrado (2018), fará questão de sublinhar que "a postura de Manuel Botelho diferenciava-se claramente não só pela especificidade do tom e ritmo pausado, mas sobretudo pela emotividade do seu discurso, pela abordagem lírica às matérias arquitectónicas e pelos inesgotáveis cruzamentos interdisciplinares, já que nas suas aulas os estudantes eram confrontados com a filosofia, a pintura, a escultura, a literatura, e desta última, em especial, a poesia." Por sua vez, Duarte Belo, em Cidade Infinita, refere: "Com Manuel Botelho éramos, seus alunos, conduzidos pela descoberta do desenho, pelas possibilidades quase ilimitadas da forma arquitetónica, do jogo de volumetrias, pelas complexas relações espaciais com que temos que lidar. A maior parte de nós entrava ali num mundo desconhecido, belo, difícil e apelativo. Éramos levados pela incessante procura de uma ideia de clareza, de ausência de ruído, da imensa nobreza, solenidade mesmo, da obra arquitetónica, onde não faltava a interrogação, elementos de descontinuidade, a perturbação intencional da ordem óbvia."


Em 2022, Manuel Botelho toma a decisão de doar o seu acervo profissional à Fundação Marques da Silva e a sua biblioteca à Escola de Arquitectura, Arte e Design da Universidade do Minho. Daqui decorre que o Centro de Documentação da Fundação Marques da Silva passa agora a integrar documentação relativa a 67 projetos de arquitetura da sua autoria, datados sobretudo entre 1980 e 2009, onde se identificam alguns concursos, mas sobretudo obra construída, desde moradias a grandes equipamentos públicos, localizada no centro e norte do país. O acervo doado inclui ainda documentação relativa à sua formação em Itália. Para sinalizar este gesto, que garante a salvaguarda futura da sua obra, permitindo que venha a ser objeto de investigaçao e estudo, um grupo de ex-alunos - António Neves, Bruno Baldaia, Carlos Maia e Duarte Belo -, apoiado num  trabalho de identificação e inventariação da obra do Arquitecto Manuel Botelho, por si desenvolvido em colaboração com os bolseiros da Universidade do Minho Bruno Castro, João Costa e Rui Ferreira, tomou a iniciativa de programar um ciclo de ações que passam por 3 momentos expositivos distintos, mesas redondas e visitas guiadas. Este programa conta, para a sua materialização, com a participação conjunta das instituições de acolhimento do seu acervo e biblioteca e da Faculdade onde exerceu continuadamente o ofício de professor, a FAUP.

 

Ciclo de Ações em torno da obra de Manuel Botelho | 2022
Exposição Manuel Botelho: Projeto e Obra (26 de janeiro a 9 de março de 2022, Galeria de Exposições da FAUP)
Mesa Redonda Manuel Botelho. Professor (23 de fevereiro, Auditório Fernando Távora, FAUP) / Vídeo
Visita guiada com António Neves (9 de março, FAUP) / Vídeo

Exposição Território Manuel Botelho (6 de abril a 18 de maio de 2022, Galeria da Garagem Avenida, Guimarães)
Sessão de Encerramento: mesa redonda, visita guiada com Carlos Maia e lançamento do livro Território Manuel Botelho

 



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